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"No momento em que estamos lá na selva, nós sofremos muito, mas o que faz sofrer mais é saber que as pessoas que amamos estão sofrendo também. As pessoas que eu mais tenho vontade de agradecer são as que ajudaram a acalmar o sofrimento da minha família."
Essa frase foi dita em entrevista ao Terra, por Indrid Betancourt. Ao ser perguntada sobre suas prioridades agora que está livre, após mais de seis anos, ela disse:
"A primeira é de pagar uma dívida, diante dos meus filhos e da minha família. Eles sofreram muito, e é um sofrimento que lhes marcou profundamente. Eles se transformaram por causa do meu drama. Para o bem, em muitos aspectos, mas infelizmente para o mal também. Há muitas dores neles que é preciso cicatrizar.
Eles esperam que eu os defenda, neste momento. Eles combateram por tanto tempo. Tiveram muitos amigos, mas também muitos inimigos, pessoas que os criticaram. E o meu papel agora é defendê-los. Eu quero que eles sintam que agora eu estarei para sempre com eles, para lutar ao lado deles. Eu quero ser uma espécie de carapaça para tentar evitar que eles sofram mais. "
O que é a história dessa mulher, gente?! Ela foi sequestrada, amargou durante anos em meio a guerrilheiros cruéis, constantemente vigiada sob a mira de pesadas armas. Fazia xixi e outras necessidades na frente de todos, debaixo de luzes de lanternas. Quase morreu de desnutrição, precisou ser medicada, foi humilhada, usada, presenciou cenas inesquecíveis de violência...
A apesar de tudo isso, o seu maior sofrimento era saber que seus filhos estavam sofrendo com sua ausência.
Não é incrível? Um coração de mãe é um coração guerreiro. Afinal, e daí que estamos sofrendo? O que importa a partir do momento em que decidimos nos doar a um outro ser, que faz parte de nós, é que ele esteja bem. Todo o resto pode se danar, desde que saibamos que um filho está feliz, nao tem dor, não sofre.
Claro que, além desses depoimentos que destaquei, Indrid falou de política, da luta de idéias, das Farc, do resgate e de seus planos daqui para frente. Seu nome marcou a história política do mundo, isso é inegável. Mas, lendo sua entrevista, o que chamou mais a atenção, agora que vivo a maternidade, foi saber que sua grande prioridade, independentemente de qualquer situação violenta que tenha vivido, foram e sempre serão seus filhos.
É algo para se pensar e admirar, sem dúvida.
Abaixo, a minha razão de viver:

criado por Bia
13:03:36