Gravidíssima

Desde a descoberta da gravidez até a chegada do bebê e os desafios de uma jovem mãe de primeira viagem. Como é difícil e ao mesmo tempo incrível desvendar a magia da maternidade.

Gravidíssima

Desde a descoberta da gravidez até a chegada do bebê e os desafios de uma jovem mãe de primeira viagem. Como é difícil e ao mesmo tempo incrível desvendar a magia da maternidade.
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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008, 24

24.03.08

(8 dias)

Tem gente que deve ter estranhado esses 10 dias sem atualização do blog. Alguns sabem o que aconteceu. Quem não sabe, não se sinta mal, não foi algo que saímos contando para todo mundo. Foram dias de atenção total ao Cadu e nada mais.

 

Foram 8 dias da minha vida que posso considerar fora do seu ciclo. Como se tivessem aberto um parênteses para que eu não fizesse nada mais a não ser viver os momentos que vivi com meu filho.

 

Aquela tosse do Cadu não melhorou. Na sexta-feira dia 14, resolvi ir ao PS. O Ri chegou em casa e fomos como Cadu direto para o hospital. Ao ser examinado, o veredicto: Bronqueolite.

 

Um problema aparentemente comum em bebês de 0 a 1 ano. Alguns médicos dizem que depois dos 3 meses de vida não acontece mais. Outros discordam e já viram crianças de até 2 anos apresentarem os sintomas.

 

Trata-se de um vírus. Ou seja, o Cadu pegou no ar. Pode ter sido qualquer hora. Pode ter sido no jantar que fomos no final de semana anterior. Pode ter sido no restaurante, no shopping (demos uma passada rápida para comprar um presente), enfim, uma visita com gripe, ou até mesmo eu ou o Ri.

 

Antes que eu me sentisse culpada por vê-lo daquele jeito, a médica tratou logo de avisar que não havia como protegê-lo disso. Não foi ar condicionado, cachorro, cigarro, nada disso evitaria, já que ele pegou no ar. O jeito teria sido não sair de casa com ele!!! Aí fica difícil né?

 

Bom, depois dos exames e da constatação da Bronqueolite, veio a outra notícia: o Cadu teria que ser internado. Internado???? O choque inicial foi passando graças à demora que levou a papelada da internação. Quando era 1 hora da manhã, nos encaminharam ao quarto 113, lugar onde morei por 8 dias, sem fazer mais nada.

 

Foi muito duro ver as enfermeiras furando a mãozinha dele para colocar o soro, foi duro vê-lo chorar e não poder fazer absolutamente nada para evitar que mexessem nele daquele jeito. Foi duro dormir a primeira noite no hospital sem ter a menor idéia do que era essa doença, do que seria do meu filho a partir daquele momento, em que decidimos entrega-lo aos médicos e confiar 100% no que seria feito ali.

 

O dia seguinte foi o início do tratamento. Algumas coisas eram tranquilas, como dar os remedios pela veia, ou fazer as inalações. O Cadu tinha que ficar o tempo todo com Oxigênio para respirar direito, ja que a bronqueolite forma catarro que impede a oxigenacao do sangue. Até aí, nada demais.

Mas tem outra parte do tratamento que é muito invasiva para um bebezinho, que é a fisioterapia e a aspiração do pulmão, feita com uma sonda bem fininha, que eles enfiam pelo nariz até lá dentro e sugam todo o catarro.

 

Essa hora foi a pior de todas, porque o Caduzinho chorou muito, como nunca antes. Berrava, desesperado. Eu ficava pensando que merda de mãe era eu que estava ali vendo tudo aquilo sem fazer nada! Sem voar no pescoço da médica e mandar ela parar de fazer aquilo com ele. Depois, pensava que merda de mãe era eu que não conseguia olhar para ele daquele jeito sem chorar, ao invés de ficar forte para passar tranquilidade pra ele.

 

Depois de me colocar numa cruz e me martirizar por horas a fio, comecei a passar mal. Tive ânsia de vômito, que depois se concretizou várias vezes... Tive diarréia e nao conseguia parar em pé.

 

O Ri e minha mãe estavam constantemente comigo e com o Cadu. O Ri se recusou a ir pra casa e dormiu comigo e com o nosso filho no hospital, todas as noites. Como só tinha cama para um acompanhante, ele dormia na poltrona mesmo. Ficou várias vezes sem comer, mas não se abateu.

 

Minha mãe passava o dia todo lá comigo. O Ri ia trabalhar e minha mãe era o apoio. Durante as sessões terríveis de aspiração, eu precisava mesmo de mais alguém, porque era muito difícil pra mim.

 

E eu pedia: Meu Deus, faz eu ficar forte de novo! Me ajuda a parar em pé pra poder velar o sono do meu filho!

 

Eu só queria força de novo. Eu sempre vi o lado bom das coisas, sempre. Prefiri sempre fazer o jogo do contente (para quem se lembra do filme da Pollyana). Mas dessa vez, eu procurava, procurava, e nao achava nada bom!!!! Eu PRECISAVA de alguma coisa pra me apoiar e entender que aquilo tudo ia passar logo.

 

No terceiro dia, minha força estava de volta. Aí foi só ter muita paciência, aceitar o tratamento numa boa, segurar o Cadu no colo toda vez que acabavam as sessões, e tentar passar toda a calma do mundo pra ele.

 

E assim se passaram 8 dias que eu não vi a rua, não vi meu carro, não vi um computador, não dormi direito, nem vi amigos e familiares. Definitivamente um parênteses aberto - e graças a Deus fechado - no meio da minha vida.

 

Agora, em casa - chegamos sábado - eu penso que sou uma mãe incrível. Estive lá todo esse tempo, vivendo pra ele, rezando pra ele, cuidando dele e torcendo por ele - e nada mais. Apesar de estar de saco cheio de hospital, de médico, de tudo, eu estava lá, e tudo que me importava nessa vida era a vida do meu filho.

 

Isso faz de mim incrível, não faz?

 

Prefiro acreditar que sim. Que sou humana e precisava desabar pra depois entender que se eu vivi tudo isso, foi para aprender mais, para aprender na dor. Claro que eu prefiro aprender na alegria. Mas não sei, às vezes tem que ser assim.

 

O importante é que o Cadu está bem, voltou pra casa, estou aqui com ele e podem vir as crises - de preferência não, mas sempre existirão as crises - que estou pronta para cada uma delas!

  • criado por  Bia criado por Bia
  • Postado em 10:38:30