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Hoje seria uma segunda-feira como outra qualquer. Eram cerca de 3 da tarde, o Cadu estava acordado ao meu lado, enquanto eu mexia no computador.
Peguei a chupeta para distrai-lo e alcancei meu pendrive na mesa de cabeceira. Enquanto colocava a chupeta na boca dele, espetava o pendrive no laptop. Hoje era dia de começar a revisão de um artigo importante para minha querida mãe.
Falando nela, lá pelas 4 da tarde ela apareceu em casa e ficou um pouco com a gente. Às 5 ela foi embora e começou o pesadelo.
O Cadu começou a chorar e julguei que fosse fome. Afinal, a última mamada havia sido às 11 da manhã! Ele havia mamado muito, em um desespero incrível, uma voracidade nunca vista antes. Achei que por isso, ele estava satisfeito até aquela hora.
Ele não quis mamar. O choro começou a ficar mais forte. A fralda estava suja de novo. Resolvi dar um banho nele para acalma-lo. Funcionou momentaneamente. Após vesti-lo, o choro começou de novo.
A hora em que o Ri chegou em casa, o choro estava ensurdecedor, e eu não sabia o que era. Ele ficou comigo e com o Cadu e juntos tentavamos decifrar o que poderia ser.
De repente, o choro migrou para fortes tosses. Depois, o Cadu começou a ter falta de ar.
Na hora só pude rezar e pedir calma, pois o nervosismo da mãe, nessas horas, é a pior coisa para o bebê. Eu e o Ri conseguimos manter a calma, batendo nas costas dele o tempo todo e mudando-o de posição para aliviar aquela situaçao.
Às vezes o ar voltava, mas logo ele tossia e tinha falta de ar de novo. Aquilo tudo fazia com que ele chorasse mais ainda. Aos poucos conseguimos acalmá-lo. Viramos o bebê de bruços e puxavamos a perninha dele em forma de sapinho. Com isso, ele começou a soltar muitos e muitos gases.
Era isso: gases acumulados. Entre o intestino e a garganta, ele engolia ar ao tentar respirar e sentia dores no abdomen tentando liberar mais gases. Ele engolia o choro e ouviamos barulho de ar dentro da garganta dele, o que fazia com que ele nao conseguisse respirar.
Conforme ele foi liberando os gases, demos para ele o remedio que o pediatra receitou justamente para isso.
Ele se acalmou um pouco, mas ainda nao respirava direito. Nós o colocamos na posiçao de arroto e ficamos cerca de 1 hora tentando fazê-lo arrotar mais. Sairam vários, até ele se acalmar de verdade. Eu e o Ri então, descartamos a possibilidade de irmos a um PS.
Depois disso, ele dormiu profundamente, tamanha exaustão com tudo aquilo.
O maior pavor dessa experiência era ver meu filho sofrendo tanto, sem que eu pudesse resolver tudo. Acho que essa é a maior frustração de pai e mãe. Não poder acabar com a dor dos filhos, e ainda, de lambuja, sentir culpa por isso.
A minha vontade era de arrancar com a mão aqueles gases, aquela dor, aquele choro, aquela tosse. Mas não podemos. Por isso, o máximo que poderiamos fazer era justamente manter a calma, pensarmos juntos, eu e o Ri, no que fazer a partir dali.
Os pais devem apoiar, acompanhar, consolar, amenizar o sofrimento.
E assim vai ser a vida toda.
E eu fico pensando: Quantas vezes mais eu precisarei sentir isso? Será que eu conseguirei apoia-lo como fiz hoje? Será que ele ainda vai sofrer muito? Quantas desilusões ele terá? Será que o Ri estará ao meu lado como esteve hoje?
O jeito é copiar o que meus pais fizeram comigo. Não me lembro de um grande sofrimento que eles não me ajudaram a superar. Fosse o que fosse: queda de patins, fora do namorado, traição de amigo na escola, nota vermelha (raras, por favor...).
Sempre os admirei e agora eu os admiro mais ainda.
No fim das contas, ao final da noite, guardei a chupeta e esqueci o pen drive espetado no computador. Acho que o trabalho vai ficar pra amanhã mesmo...

criado por Bia
20:48:26